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#RetrospectivaComunitas – Confira alguns conceitos em ESG que foram vistos como a grande revolução de 2021

23/12/2021

A Agenda ESG (do inglês, Environmental, Social and Governance) ou Ambiental, Social e Governança (ASG — em português) tornou-se um caminho sem volta para guiar empresas que desejam transformar suas operações e deixá-las mais socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas. Isso porque o conceito é usado para descrever o quanto um negócio busca meios de minimizar seus impactos ao meio ambiente, se preocupa com as pessoas e adota boas práticas administrativas.

Embora os ESG sejam trabalhados há mais de cinco anos por algumas empresas nacionais, o termo vem ganhando mais força no Brasil a partir de 2020, em especial durante os momentos mais difíceis da pandemia. E, assim, uma agen da de boas práticas passou a ser adotada pelo mundo corporativo, que vem aportando somas bastante elevadas para adaptar sua cadeia produtiva de forma a causar o menor impacto negativo possível na natureza e na sociedade.

No setor corporativo, pode-se dizer que os pilares de valores ESG abraçam todas as atividades econômicas, irradiando efeitos sobre toda a cadeia produtiva e gerando impactos positivos na sociedade. 

Confira abaixo alguns dos conceitos em ESG que foram vistos como os mais revolucionários do ano:


Um novo conceito de economia:

No 14º Encontros de Líderes, realizado em outubro pela Comunitas, o professor de economia da Columbia University, Jeffrey Sachs, defendeu que o Brasil já tem vantagem natural para o desenvolvimento da economia verde no país, graças ao potencial bioeconômico da Amazônia. “É preciso ter um plano, uma estratégia ambiental adequada para a conservação da Amazônia. O país precisa voltar a ter grandes ideias de proteção ambiental, com a riqueza da bioeconomia que tem na Amazônia, em lugar de promover a destruição da floresta tropical”.

A economia verde é baseada na premissa de que a Amazônia pode gerar mais riqueza em pé do que desmatada, e vem sendo vista por diversos defensores desse modelo como um novo caminho para o capitalismo. Um capitalismo menos predatório e mais sustentável para a sociedade como um todo, bem como para o meio ambiente.


Mercado de Crédito de Carbono:

Para fortalecer a implementação da bioeconomia no país, está em tramitação no Plenário da Câmara o PL 528/2021, cuja ementa trata a respeito da regulamentação do mercado de créditos de carbono no Brasil. O projeto é um exemplo de como as pressões sociais agilizam a criação de novas políticas públicas para benefício da sociedade.

Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de gás carbônico ou à mesma quantidade de Gases do Efeito Estufa (GEE). O crédito de carbono pode ser transformado em título e  negociado com outras nações, empresas ou pessoas físicas. 

O mercado de créditos de carbono foi sugerido pelo Protocolo de Kyoto, em 1997, porque introduz um custo monetário para a prática de poluir o ar, e, em teoria, faz com que as emissões de GEE sejam encaradas como práticas pouco interessantes do ponto de vista dos negócios. 

Os preços de cada crédito (ou tonelada) de carbono variam entre US$ 1 e US$ 137, e a estimativa é de que os valores se multipliquem de 10 a 15 vezes até 2030. De acordo com um relatório divulgado por consultoria financeira internacional, o mercado de créditos de carbono aumentou 20% em 2020 e chegou a movimentar US$ 227 bilhões. Já são 4 anos de aumentos recordes consecutivos.


Fundos de Investimento Sustentável:

Ainda no setor do mercado financeiro, corretoras da área já estão incentivando seus clientes a fazerem investimentos em fundos sustentáveis, que abarca as empresas que praticam a Agenda ESG.

Uma empresa que deseje atrair mais investidores no mercado de ações precisa comprovar suas boas práticas ambientais, sociais e de governança, que podem ser traduzidos como as políticas corporativas adotadas e que devem ser sempre inclusivas e igualitárias.

E para que essas empresas possam continuar competitivas no mercado de ações, é preciso total transparência em seus relatórios, disponibilizados não apenas para os especialistas do setor financeiro, mas também para toda a sociedade. 

Para saber mais, clique aqui, aqui e aqui.

 

Profissionalização de Métricas e Mais Exigência

A União Europeia finalizou a regulamentação sobre finanças sustentáveis. O Fórum Econômico Mundial coordenou uma iniciativa na qual as quatro maiores empresas de auditoria do mundo desenvolveram métricas básicas de ESG. O objetivo é que, com a iniciativa, seja possível munir os investidores com informações claras sobre práticas ESG, bem como garantir com que os investimentos possam avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. 

Além dos ODS, essas métricas representam uma consolidação e padronização de indicadores, que vai permitir fazer melhores avaliações e benchmarks como base de ESG. Assim, será possível para os investidores usar dados para levantar dados ESG, comparar o desempenho na Agenda de vários atores e criar novas ferramentas de investimentos. Isso afetará principalmente empresas no Brasil que têm financiamento internacional. 

Ou seja, como uma coisa puxa a outra, é necessário publicar relatórios da atuação na Agenda ESG para que esses atores continuem competitivos no mercado de ações. E as companhias que já fazem a publicação de seus desempenhos ESG naturalmente, também apostam que haverá um aumento das exigências.

Visão Unificada do ESG e Diversificação de temas:

Nesse sentido, as empresas que aprenderem a focar esforços para envolver toda a Agenda ESG, de forma unificada, têm mais chances de serem reconhecidas e continuarem por mais tempo no mercado do que aquelas que focam em implementar práticas de apenas um dos tripés.

Durante a pandemia, as empresas ampliaram seu leque de atuação, de acordo com a pesquisa BISC, realizada anualmente pela Comunitas. Com o objetivo de mitigar os efeitos da pandemia na sociedade, as empresas reforçaram seu papel social e de apoio ao interesse público, mobilizando esforços e recursos em busca de atenuar os impactos sociais, econômicos e de saúde pública causados pela crise. Desta forma, em 2020 as empresas investiram R$5 bilhões, o que representa um aumento maior que 95%, em relação a 2019. 

Ainda de acordo com o BISC, o perfil dos investimentos sociais corporativos também foi modificado devido à crise. Em 2020, cresceu o percentual de empresas que adotam, ao mesmo tempo, uma postura de terceirização da execução de algumas ações sociais e internalização da execução de outras.  

São grandes os impactos do movimento ESG no que se refere à terceirização (e, portanto, fomento a outras organizações) dos investimentos sociais. Otras pesquisas já indicam que foi intensificada a cobrança da sociedade junto às corporações, para que elas se posicionem socialmente e operacionalizem ações concretas neste sentido, particularmente com a significativa relevância conquistada pela temática ESG.

O fomento às organizações sociais se deve ao fato de que elas atuam na ponta, ou seja, em contato direto com beneficiários de ações sociais, particularmente pelo conhecimento, tecnologia social e habilidades interacionais/de escuta com as comunidades pobres, mais impactadas pela pandemia.

Colaboração Entre as Empresas:

A pandemia também acelerou um outro movimento: a colaboração entre empresas em temas ESG. Embora motivados por causas filantrópicas, esse fenômeno pode ser visto como colaborações estratégicas. Temas como o desmatamento não podem ser resolvidos por uma empresa só. A mesma lógica se aplica a temas como desigualdade, mudanças climáticas, resíduos pós-consumo entre outros.

Nesse sentido, é muito mais eficiente, além de muito mais barato, colaborar em temas ESG que são relevantes para várias empresas, causando maior impacto do investimento social corporativo. Um exemplo dessa colaboração é a construção da nova fábrica de vacinas, que será entregue ao Instituto Butantan. A Comunitas atuou ativamente para que a iniciativa se concretizasse, arrecadando R$170 milhões junto a 35 empresas.

Para saber mais, clique aqui, aqui e aqui 

 

Perspectiva do Consumidor e Reputação Corporativa:

Se antes o impacto social era apenas um valor “a mais” das empresas, com o fortalecimento dos conceitos ESG isso passou a ser visto como algo que deve estar intrínseco no próprio negócio. Um novo perfil de investidores passou a crescer, que é representado nos jovens investidores da atualidade, conhecidos como Millennials ou “Geração Y”. Esse grupo não necessariamente visa a uma rentabilidade alta a qualquer custo e sim o quanto seus recursos contribuem com desenvolvimento de empresas ou negócios social e ambientalmente sustentáveis. Embora lucrar seja importante, esses investidores acreditam  que os ganhos devem estar atrelados a benefícios que resultem em ganhos à comunidade como um todo. 

Dessa forma, quanto mais focada uma empresa for em implementar iniciativas ESG, maior é o ganho da mesma em termos de retornos em reputação e imagem pública, pois isso denota uma preocupação com questões importantes para a sociedade. Isso naturalmente atrai um interesse maior dos investidores, que ficam satisfeitos em alocar recursos em empresas de impacto positivo.

Esse fato também foi observado na última edição do BISC, que levantou qual a expectativa das empresas em relação ao retorno do alinhamento dos investimentos sociais aos negócios. Tendo em vista a intensidade do movimento, não surpreende que cresceu a expectativa por retornos operacionais (7 p.p.), fortalecimento da imagem da empresa (crescimento de 13 p.p., somando expectativas altas e muito altas) e o reconhecimento público (crescimento de 25 p.p, somando expectativas muito altas e altas).

Pode-se constatar, também, que hoje já não se espera tão intensamente, enquanto retorno, por impacto nas vendas (a expectativa baixa cresceu 10 p.p. e nenhuma empresa acusou expectativa muito alta ou alta), mitigação de riscos (uma vez que somando expectativa muito alta e alta, houve uma queda de 28 p.p.) e fidelidade dos consumidores (queda de 9 p.p., somando expectativas muito altas e altas).

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