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Pacto Pelotas pela Paz | Esforço para ganhar os jovens e vencer a violência

16/03/2018

Município aposta em programa Escola da Paz para tornar o ambiente da sala de aula um aliado na prevenção.

por Vinicius Peraça, Diário Popular

Disputar a atenção e o interesse de cada criança e adolescente, desviando da violência. É dessa forma que a rede pública de ensino de Pelotas pretende colaborar para reduzir os índices de criminalidade na cidade e garantir uma educação capaz de melhorar não apenas o rendimento escolar, mas a relação dos jovens com a família e a comunidade. Nesta quinta (15), quando era celebrado o Dia da Escola, centenas de educadores participaram do 1º Fórum Municipal de Prevenção da Violência Escolar, no auditório Dom Antônio Zattera, da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).

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Realizado pela prefeitura, o evento reuniu gestores municipais, representantes de órgãos de segurança, do Judiciário, Ministério Público, entidades civis, empresários e, claro, educadores. Durante todo o dia foram discutidas estratégias de enfrentamento à violência entre os jovens que já vêm sendo utilizadas pelo município dentro do Pacto Pelotas pela Paz. Desta vez, porém, com ênfase no papel que o tempo em sala de aula têm nessa missão através do programa  Escola da Paz, que até o final do ano deve chegar às 89 instituições municipais de ensino.

De acordo com a prefeita Paula Mascarenhas, transformar a escola em uma aliada é fundamental para que a cidade consiga enfrentar a violência. “A escola é o grande centro de prevenção, um segundo caminho para prevenir a violência na sociedade. O primeiro é a família, é dentro de casa. Temos que disputar cada um destes jovens, oferecendo coisa melhor do que o crime”, disse. Para isso, aposta em novas metodologias de ensino (veja abaixo) que envolvam temas como disciplina, autoestima e autocontrole, somadas à identificação de alunos para inclusão em iniciativas de aprendizagem profissional e práticas esportivas.

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Trabalhar dentro de sala de aula a prevenção à violência entre os jovens dentro e fora das escolas tornou-se um objetivo mais claro a partir de uma pesquisa de vitimização realizada no ano passado pelo Instituto Cidade Segura, que dá suporte técnico à prefeitura na elaboração do Pacto pela Paz, por meio da parceria com a Comunitas. O levantamento apontou que 42% do total de vítimas de homicídios entre 2015 e 2017 tinham entre 15 e 24 anos.

Segundo a advogada e consultora do instituto, Tâmara Biolo Soares, com base na pesquisa, passou-se a monitorar outros indicadores sobre violência e possíveis fatores desencadeadores, especialmente dentro de oito escolas selecionadas em uma primeira etapa de análise. “Isso agora terá monitoramento mensal de frequência, abandono e evasão escolar, dados que geralmente ficam nas escolas e precisam chegar à prefeitura e ser estudados em uma concepção de prevenção à violência. Um trabalho sério, com consciência e baseado em dados científicos”, explica.

“Tem que sair desse modelo antigo”

Coordenador da Central Única das Favelas (Cufa) em Pelotas considera importante que o município tome a iniciativa de discutir a violência dentro das escolas. No entanto, mantém o ceticismo sobre os possíveis resultados. “A ideia é muito bonita, no discurso cabe tudo. Mas é preciso a compreensão de que a escola tem que sair desse modelo atual, que é muito antigo, para ser mais atrativa. Quando o jovem não encontra contentamento na sala de aula ele é cooptado para outras atividades”, alerta Edson Mesquita.

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Para ele, mais uma vez faltou ouvir a voz das comunidades na hora de estudar soluções voltadas a elas e à violência que as atinge. “O ideal seria que fôssemos chamados para construir junto, estar à mesa para discutir os problemas e as saídas. Temos a linguagem do jovem da periferia, sabemos como lidar, há essa identificação que a escola também precisa ter”, argumenta.

Novos parceiros

Dez novas empresas e organizações assinaram adesão ao Pacto Pelotas pela Paz. Ao todo já são 25 parceiros do projeto, incluindo comércio, hospitais, universidades e entidades esportivas. Elas oferecem 140 vagas a estudantes identificados como em vulnerabilidade dentro das escolas dos bairros que são direcionados a atividades conforme o perfil de cada um. Desde o início do programa Cada Jovem Conta já foram encaminhados 66 adolescentes para estas oportunidades.

As metodologias

Dentre as ações práticas previstas para serem aplicadas via Escola da Paz estão a adoção de duas metodologias pelos professores em sala de aula

Programa Compasso Socioemocional

Visa aumentar o desempenho social e educacional de todos os alunos (Educação Infantil e Ensino Fundamental) e diminuir problemas de comportamento desenvolvendo capacidades não-cognitivas, como aprender a lidar com emoções e ter empatia. É utilizado em São Paulo.

Book Sharing (ou Conte Comigo)

Voltado às escolas de Educação Infantil para promover o fortalecimento de vínculos familiares através do compartilhamento de livros. Na prática, é um trabalho da escola com pais e filhos para que se adote um tempo mínimo diário para a leitura de um livro em casa. O objetivo não é ensinar a criança a ler, mas sim estimular a proximidade entre da criança com os pais, fortalecendo vínculos.

Postado originalmente no Diário Popular.

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Sobre o Pacto Pelotas pela Paz

Realizado pela prefeitura, com apoio da Comunitas em parceria técnica do Instituto Cidade Segura, o Pacto Pelotas pela Paz é um conjunto de estratégias desenvolvidas para redução da criminalidade a partir de ações movidas por toda a sociedade no município.

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