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BISC | Entrevista com Patricia Loyola

11/11/2021

A Diretora de Gestão e Investimento Social Corporativo da Comunitas oferece interpretações aos dados da Pesquisa BISC 2021

Com o lançamento dos destaques do BISC 2021, Patrícia Loyola, Diretora de Gestão e Investimento Social Corporativo da Comunitas, concedeu uma entrevista para oferecer algumas interpretações aos dados apresentados no evento, que ocorreu agora há pouco, tanto presencialmente, quanto virtualmente. 

Na apresentação, a Comunitas divulgou os dados acerca da evolução dos investimentos sociais corporativos (ISC), passado, presente e futuro dos investimentos, o papel dos incentivos fiscais, o perfil e foco dos investimentos sociais corporativos, panorama do ISC na Amazônia Legal, as novidades nos programas de voluntariado e o cenário ESG na Rede BISC.

Além disso, também houve o painel intitulado “O legado para o futuro, hoje”, com a participação dos especialistas, os professores Rosa Maria Fischer (FEA/USP), Mário Aquino (EAESP/FGV) e Patrícia Mendonça (EACH/USP). 

Realizado desde 2008, o BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo) é uma pesquisa conduzida pela Comunitas que envolve uma rede de empresas, institutos e fundações. Seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento, o aperfeiçoamento da gestão e a avaliação dos investimentos sociais corporativos no Brasil. Neste ano, os dados compilados tiveram a participação de 324 empresas e 17 institutos. 

 

Quais os principais achados e resultados da pesquisa BISC 2021? 

Tivemos um ano fortemente impactado pela pandemia em múltiplas dimensões, um período sem precedentes no qual as empresas assumiram de forma contundente a co-responsabilidade pelo enfrentamento da crise. Isso se reflete nos dados do BISC 2021. O volume do Investimento Social Corporativo (ISC) direcionado pelas empresas da rede foi de R$5 bilhões, em 2020, um aporte nunca visto em toda a série histórica da pesquisa e aproximadamente o dobro em relação a 2019. Deste montante 47% foi alocado exclusivamente em ações de enfrentamento à COVID-19. No enfrentamento à pandemia, a Rede BISC demonstrou agilidade e flexibilidade exigidas pelo momento . Esta fase tão desafiadora para todos foi uma grande prova de fogo para as equipes sociais das empresas, fundações e institutos e elas souberam ampliar a escuta das necessidades do público beneficiário e usaram a sua expertise de forma decisiva no desenho e implementação das estratégias.

 

Quais foram as principais mudanças decorrentes do cenário pandêmico?

O perfil de atuação do investimento social sofreu inúmeras mudanças nesse período: grupos da população que passaram a se destacar como beneficiários, novas áreas de atuação prioritárias, ampliação dos repasses às organizações da sociedade civil e crescimento do alinhamento às políticas públicas. 

As dificuldades impostas pela pandemia tirou todos da zona de conforto e moveu a sociedade em torno de um pacto coletivo pela solução. Vimos o aprofundamento da colaboração em todos os sentidos: entre as empresas de setores similares ou diferentes, com organizações sociais/movimentos e sobretudo com o governo.

Em relação à gestão do investimento social, durante a pandemia, foram instituídas medidas para agilizar o processo decisório como a instituição de comitês de crise nas empresas e redução das exigências burocráticas visando maior celeridade aos repasses para as  organizações sociais. 

Muitas destas mudanças tiveram caráter emergencial e não devem perdurar na atuação contínua. De toda forma, os desafios vieram acompanhados por forte aprendizado e a oportunidade de ressignificar a atuação social, presenciamos na rede BISC a aceleração do uso da tecnologia como aliada na ampliação de alcance e escala de projetos, tendência que vem se mostrando progressiva. 


Você pode falar um pouco a respeito da importância da professora Anna para a Comunitas e o que fica de legado, especialmente no que se refere ao BISC?

Justamente, neste momento em que acompanhamos o aprofundamento de nossas mazelas sociais no país, a importância da professora é ainda maior. Muitos de nós no campo social fomos impactados por sua atuação e sentimos sua partida.  Em toda sua trajetória, Anna levantou a bandeira de políticas públicas efetivas e a atuação empresarial com compromisso e responsabilidade pautada por dados e informações consistentes. Tinha forte habilidade de agregação e a usou na construção de pontes entre executivo, legislativo e sociedade civil. 

O BISC faz parte deste legado da professora Anna, que coordenou a pesquisa desde sua primeira edição em 2008. Nos últimos 14 anos, a pesquisa pautou parâmetros, apoiou a consolidação  de critérios comuns de acompanhamento e reporte e aconselhou inúmeros executivos e lideranças de nossa rede. Nessa trajetória, a professora trazia sua expertise para as análises, provocava reflexão e compartilhava seu conhecimento com generosidade de alguém que demonstrava forte espírito público.

 

Como surgiu e qual é a importância do convite da UCPA para inserir a temática da Amazônia Legal no BISC?

A Uma Concertação pela Amazônia (UCPA) é uma rede de pessoas, instituições e empresas formada para buscar soluções para a conservação e o desenvolvimento sustentável deste território. São mais de 400 lideranças engajadas em um espaço voltado à construção de diálogo, alinhamento e ampliação do impacto em torno das ações existentes e futuras  em prol da floresta e das populações que vivem na região.

E a partir do reconhecimento da importância da Filantropia Corporativa neste contexto, consultaram o BISC no início deste ano sobre a possibilidade de um mapeamento inédito voltado aos investimentos sociais na região. Foi um processo bastante rico e por ser introdutório, há espaço para aprofundamento da análise, que esperamos poder ampliar não só em termos de conteúdo e perfil da atuação, mas também contar com uma amostra cada vez maior de empresas que investem na região. 

 

Você pode falar um pouco mais sobre a importância para a Amazônia da realização de investimentos sociais focados especificamente na preservação e desenvolvimento da região?

Neste exato momento em que lançamos a nova edição dos Destaques BISC, acontece a COP 21 e os olhares do mundo se voltam mais uma vez para a Amazônia e sua inegável importância para o equilíbrio climático global. E tão relevante quanto dar espaço para o florescimento de energia limpa, vencer o desmatamento trazendo soluções econômicas que incentivem a floresta em pé e reduzir as emissões de carbono, é colocar as pessoas no centro das políticas e programas de desenvolvimento territorial, ainda mais agora que a pandemia intensificou a desigualdade e os desafios. Ambiental e social precisam avançar lado a lado. 

Com mais de 30 milhões de habitantes, a Amazônia Legal é um território de vasta complexidade e diversidade, que demanda ações integradas em múltiplas dimensões, inclusive no investimento social estratégico pautado por dados e acompanhamento consistente. 

 

Você pode adiantar quais são as expectativas com relação ao investimento social no cenário pós-pandemia?

A maior parte da Rede BISC mostrou otimismo, ainda que o cenário econômico esteja desfavorável no presente, e 42% espera aumentar os valores investidos atualmente nos próximos dois anos (2022 e 2023), após uma queda em 2021. 

Considerando os orçamentos já compostos no ano corrente, há expectativa de redução maior que 50 % em relação à 2020, revelando o papel emergencial dos investimentos sociais privados nas ações de mitigação dos impactos negativos da pandemia com recursos excepcionalmente disponibilizados. 

Em paralelo, o recente crescimento dos fatores ESG se reflete no ISC ao posicioná-lo como parte de uma agenda em nível cada vez mais estratégico. O tema é unanimidade na Rede BISC e passaremos a acompanhá-lo mais de perto nas futuras edições, dada a expansão de foco em indicadores não financeiros e a necessidade crescente de consistência na coleta e disseminação dos dados.

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