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13º Encontro de Líderes da Comunitas debate os impactos da governança compartilhada para o Brasil

06/10/2020

“A atuação integrada entre a iniciativa privada e a gestão pública durante a pandemia revelou o que a Comunitas já sabia: a governança compartilhada é um caminho muito importante a ser seguido”.

Foi com essa frase que Regina Esteves, diretora-presidente da Comunitas, iniciou o 13º Encontro de Líderes,. Realizado no dia 1º de outubro, o fórum exclusivo de mobilização reúne importantes lideranças brasileiras, públicas e privadas, para refletirem, em conjunto, sobre seu papel no desenvolvimento social e econômico do Brasil – principalmente em um cenário de pós-pandemia.

Para Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração do Grupo Cosan e membro da governança da Comunitas, é importante enxergar a oportunidade que a crise provocada pela Covid-19 trouxe. “Chegamos no momento de estimular, ainda mais, que a iniciativa privada amplie sua atuação e apoio às políticas estruturantes”, acredita.

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Fotos: Bárbara Ferreira

Este ano, excepcionalmente, o encontro foi realizado de forma híbrida, com alguns convidados participando de forma presencial (seguindo rígidos protocolos de segurança sanitária) e diversas lideranças interagindo em formato virtual.

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Com três horas de duração, e com a participação de mais de 200 lideranças, o fórum debateu os desafios sociais e econômicos enfrentados pelo País atualmente, as probabilidades para o futuro, e os impactos e o legado da atuação compartilhada no enfrentamento desses desafios.

“É de pessoas com esse espírito público que precisamos para o futuro que nos aguarda. Os desafios são inúmeros, mas o que conforta é saber que temos ao lado pessoas dispostas a firmar um pacto coletivo em benefício de todos.”

Solange Ribeiro, diretora presidente adjunta da Neoenergia e membro da governança da Comunitas

Participação cidadã

Para debater Democracia deliberativa e a resposta para as demandas do País, a Comunitas convidou James Fishkin, cientista político e professor em Stanford, e José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo e membro da governança da Comunitas, com a moderação de Fernando Schüler, cientista político. A roda ainda contou com interações da prefeita de Caruaru (PE), Raquel Lyra, e do prefeito de Santos (SP), Paulo Alexandre Barbosa.

Assista: Mark Lilla no 12º Encontro de Líderes

Segundo Fishkin, o mundo está mergulhado em uma polarização política e a participação cidadã pode ser alternativa para criar convergência entre elos opostos. O especialista citou como exemplo a pesquisa deliberativa, ferramenta que seleciona uma amostra da população para opinar e debater acerca de determinado tema sob diferentes pontos de vista.

“As soluções que as pessoas apoiarão são aquelas que conhecem. Quando o cidadão entende o motivo daquela solução ser implementada e não outra, elas vão, por exemplo, aceitar pagar a conta para receber água limpa. Com isso não resolveremos todos os problemas, mas teremos um grande avanço”, disse.

“É necessário que os partidos políticos pensem para além da plataforma eleitoral e passem a construir plataformas que beneficiem a todos. Esclarecer e empoderar as pessoas para que participem dos debates é a grande mágica.”

José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo e membro da governança da Comunitas

Cenário econômico

Os principais desafios da economia brasileira e cenário internacional foram debatidos em uma roda com a participação de José Scheinkman, economista e professor nas Universidades de Columbia e Princeton, Luiz Ildefonso Simões Lopes, executive chairman da Brookfield e membro da governança da Comunitas, Pedro Passos, fundador da Natura e copresidente do Conselho de Administração de Natura &Co, e Luis Henrique Guimarães, CEO da Cosan. A mediação ficou por conta da cientista política Leany Lemos.

Em sua fala, Scheinkman citou fatores que podem explicar os motivos pelos quais alguns países conseguem produzir mais e de forma mais eficiente, mesmo aplicando o mesmo recurso e capital humano que outras nações. Na opinião do economista, para um país otimizar a produtividade e, consequentemente, elevar a competitividade econômica, é importante atentar para fatores como a qualidade educacional dos trabalhadores, a quantidade de capital disponível também para os trabalhadores, e a qualidade da legislação, infraestrutura e tributação do país.

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Segundo Passos, existem recursos para avanço da competitividade do Brasil, mas não há liderança para definir rumos. “A agenda de produtividade ainda não é boa. Vivemos em um País desigual e o Estado ainda é ineficiente no gerenciamento do orçamento, inviabilizando recursos para áreas essenciais como Saúde e Educação”, disse.

Já para Guimarães, outro ponto importante para avanço do País é a implementação de reformas estruturantes. “Devemos pensar que País queremos deixar para os nossos netos. É uma decisão da sociedade usando a democracia que temos. Vamos precisar pagar a conta pelo déficit gerado pela pandemia com a redução de custos, para conseguirmos ter produtividade e possamos competir. A conta não fecha mais e não vai fechar enquanto não atacarmos isso”, afirmou.

“O debate atualmente é muito raso. Estamos discutindo como vender o almoço para pagar o jantar. O problema não é esse, precisamos debater a revisão do orçamento federal de forma mais profunda, com as coisas expostas e conhecidas.”

Luiz Ildefonso Simões Lopes, executive chairman da Brookfield e membro da Governança da Comunitas

Futuro da economia

A última roda convidou para o debate os governadores João Doria Jr, de São Paulo, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Romeu Zema, de Minas Gerais, para debater os novos caminhos para a economia brasileira, sob a mediação do jornalista Fábio Zambeli.

Para os chefes dos executivos estaduais, é fundamental enxugar o gasto da máquina pública para aumentar a capacidade de investimento do governo em setores de maiores demandas para a população, como Saúde e Educação.

Segundo Leite, o País não pode cair na política anticíclica dos últimos anos que, segundo ele, diante de uma crise se estendeu e provocou um déficit público que minou a credibilidade do governo brasileiro, fazendo com que o Brasil tivesse, de 2015 a 2016, entrado em recessão enquanto outros países emergentes cresciam economicamente. “É fundamental que tenhamos a compreensão de que a agenda de redução das despesas da máquina não se esgotou. Pelo contrário, vai ser ainda mais importante nos próximos anos, para garantir que este País é sério e para assegurar que faremos a lição de casa com reformas profundas para dentro da máquina pública que garantam a capacidade de implementação de todas as obrigações dos governos”, afirmou.

Zema concordou. “Eu sempre digo que a esfera pública no Brasil vive uma realidade diferente do restante da nação. Com isso, você acaba tendo esse descasamento que em momentos de recessão ou de alguma necessidade excepcional como essa, acaba tornando a condução da economia algo quase que inviável. Precisamos mudar a cultura do setor público de se julgar acima de todos e imune a toda e qualquer crise”, disse.

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Doria apresentou as propostas que São Paulo seguirá no próximo biênio, que incluem redução de vantagens fiscais para determinados setores, com veto à alimentos e medicamentos, e redução do tamanho do estado. Segundo o governador, as ações tomadas pelo estado paulista podem gerar uma economia que compensará R$ 10,4 bilhões de perda que São Paulo obteve durante o período da pandemia. “Há clima e condições de implementar programas de enxugamento da máquina, para aqueles estados que acreditam em um estado menor, mais eficiente e mais fiscalmente responsável”, acredita.

Lançamento: publicação Covid-19 | Governança público-privada e o legado para o Brasil

Desde o início da pandemia no Brasil, a Comunitas mobilizou sua rede, formada por importantes lideranças da iniciativa privada, para, em conjunto, de forma articulada e urgente, apoiarem o setor público na formulação das respostas imediatas necessárias para o cidadão.

Foto: Bárbara Ferreira

Dessa articulação nasceu diversas ações, como a mobilização de equipamentos que culminaram na instalação de 300 novas UTIs em hospitais públicos do País, a transferência de renda para a alimentação de famílias vulneráveis, o desenvolvimento do modelo de distanciamento controlado implementado de forma inédita pelo Governo do Rio Grande do Sul, o oferecimento de especialistas para apoiarem na tomada de decisão das gestões públicas, e, por último, a liderança da mobilização para a construção da fábrica da vacina do Instituto Butantan.

Toda essa mobilização foi transformada em uma publicação chamada Covid-19: Governança público-privada e o legado para o Brasil. Disponível na Rede Juntos, plataforma digital sobre gestão pública liderada pela Comunitas, a publicação explica todos os passos da Comunitas e como a governança compartilhada da organização conseguiu atuar no enfrentamento ao Covid-19.

“Uma coisa eu tenho certeza desde que comecei a participar da Comunitas, há alguns anos: somente com a sociedade civil trabalhando em conjunto com o governo podemos avançar com Brasil. O mundo está complexo, então é ainda mais importante atuarmos dessa maneira. Por isso eu conclamo: precisamos nos unir. A vida pública não é fácil, e nós, como sociedade, temos a obrigação de participar e apoiar às lideranças públicas a continuarem, junto conosco, transformando, o nosso País para melhor. 

Carlos Jereissati Filho, presidente do Iguatemi Empresa de Shoppings Centers e membro da Governança da Comunitas

 

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