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Tinha que ser mulher

Quatro mulheres contam os desafios enfrentados para alcançar diferentes cargos de lideranças.

As mulheres ainda enfrentam desafios históricos no campo pessoal e profissional, impostos por uma sociedade ainda de cultura machista. É uma luta, diária, que tenta ultrapassar as barreiras do preconceito e desigualdade.

Não foi fácil conseguir ultrapassar espaços dados só a homens. Durante toda a minha caminhada até aqui, eu recebi muito ‘não’, mas não desisti | Raquel Lyra

Para Ilona Szabó, cientista política e diretora-executiva do Instituto Igarapé – organização parceira da Comunitas, boa parte das mulheres ainda são criadas para cumprir um papel social diferente dos homens. “Os desafios são múltiplos e incluem: vencer o estereótipo de sexo frágil; desenvolver o potencial de liderança sem as mesmas oportunidades e incentivos dos homens; conciliar a maternidade com a vida profissional em um ambiente de trabalho que não é flexível e se baseia mais em assiduidade do que em produtividade; ter sua opinião e experiência valorizadas em posições de tomada de decisão; ter remuneração equiparada com seus pares do sexo masculino”, elenca.

São desigualdade como termos, por exemplo, somente 16% do total de presidentes e diretores executivos do Brasil serem mulheres, segundo a pesquisa International Business Report (IBR), em 2017.

Na área da administração pública o cenário não é muito diferente. Dos 5.557 prefeitos eleitos em 2016, somente 641 são mulheres – ínfimo 11,57% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Destas, somente três (sim, somente três) foram eleitas prefeitas nas grandes cidades – grupo que possui mais de 200 mil eleitores.

As três são: Raquel Lyra, de Caruaru (PE), Paula Mascarenhas, em Pelotas (RS) – ambas parceiras da Comunitas, além de Teresa Surita, da cidade de Boa Vista (RR). Elas enfrentam desafios para além da máquina pública, mas assumiram o compromisso de arregaçar as mangas e enfrentar.

“É uma enorme responsabilidade. Sou a primeira prefeita eleita na história de Pelotas. Tenho os desafios impostos a todo gestor público municipal no Brasil, que são inúmeros, e tenho também que representar bem as mulheres. Ser um exemplo de que o espaço de poder político é também, ou pode ser, um espaço feminino”, confessa Paula Mascarenhas.

Em comparação com o mundo, o Brasil tem uma das piores taxas de presença feminina no parlamento. Segundo dados da União Interparlamentar, em 2016, em uma lista de 193 países, o Brasil ocupa o 154º em representatividade feminina no Congresso Nacional, ficando atrás de países como Afeganistão e Arábia Saudita.

“Não foi fácil conseguir ultrapassar espaços dados só a homens. Em Caruaru, em pleno século XXI, fui a primeira mulher eleita do município. Durante toda a minha caminhada até aqui, eu recebi muito ‘não’, mas não desisti. Tenho certeza que minha trajetória não foi diferente de muitas mulheres, nas diversas profissões ou situações na sociedade. Nós já tivemos muitos avanços em relação ao machismo, mas ainda precisamos derrubar muitas barreiras e lutar pela igualdade de gênero”, conta Raquel Lyra.

O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, é um simbolizador da batalha feminina por direitos, liberdade e igualdade. Muito foi conquistado, porém a luta não está ganha. E vale lembrar que os homens têm essencial participação nisso.

É necessário que a sociedade, o que inclui também os homens, reconheçam que existe uma discrepância, e, ao mesmo tempo, promovam uma mudança de pensamento e cultura | Regina Esteves

“Acredito que somente por meio da educação, da valorização do protagonismo feminino e do empoderamento, podemos combater esses tristes dados”, disse a diretora-presidente da Comunitas, Regina Esteves.

Realmente, tinha que ser mulher. Tinha – e precisa ser – mulher para ter e unir forças e continuar avançando em busca de igualdade e justiça social.

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