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De quem é a cidade? Comunitas promove o Urban Thinkers Campus Brazil para debater a cidade e o cidadão

O Urban Thinker Campus é uma iniciativa global idealizada pela Onu Habitat, organizado no Brasil pela Comunitas, em parceria com o Canal Futura e o Instituto Amani.

Foto: Mariana Lima

Cidades, cidadão, governança compartilhada, participação, colaboração entre setores… Palavras como estas foram essenciais durante os debates que aconteceram ontem (13), no Urban Thinkers Campus, encontro promovido pela Comunitas.

Com o tema “A nova governança urbana: Quem decide? Entre o cidadão e a cidade”, o Google Campus tornou-se um espaço de discussão e compartilhamento de ideias e exemplos de soluções, convidando gestores públicos, especialistas e a sociedade para discutir cidades mais democráticas e inclusivas, construídas em torno de uma agenda compartilhada.

O Urban Thinkers Campus (UTC) é uma iniciativa global da World Urban Campaign – coordenada pela ONU Habitat, criada com a intenção de que parceiros mundiais, já inseridos no debate sobre as novas governanças sustentáveis e compartilhadas – à exemplo da Comunitas – realizem encontros com a presença da população para fortalecer a pauta.

“A gente sabe exatamente o que não queremos. Sabemos também alguns possíveis caminhos de como melhorar. Então, esse ambiente é para debater esse assunto, qual a cidade que a gente quer e como queremos participar das decisões que afetam a nossa vida. A intenção é não deixar ninguém para trás”, explicou Rayne Ferretti Moraes, oficial nacional para o Brasil do ONU-Habitat.

Foto: Mariana Lima

Boas práticas em governança urbana: experiências inovadoras

 Temos um modelo de governança que não representa mais a sociedade atual. O tempo de espera da população por uma transformação não é mais o tempo que a gestão pública pode oferecer para resposta. Estamos em tempo diferentes, precisamos debater 

Regina Esteves

A primeira roda serviu para debater a construção de um caminho de consenso na criação da agenda urbana, e contou com a participação de Regina Esteves, diretora-presidente da Comunitas; Sérgio Besserman, professor e presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro; e Luti Guedes, coordenador da equipe Brasil da Fundación Ciudadano Inteligente, além da mediação de Natália Garcia, jornalista criadora da plataforma Cidades para Pessoa, que também assumiu a posição de mestre de cerimônia durante todo evento.

“Precisamos descobrir como reunir os diferentes atores da sociedade, cada um em busca dos seus interesses, de uma forma que resulte em ações concretas, ao invés de embates”, explicou Sérgio Besserman.

Foto: Mariana Lima

Para Luti Guedes, a discussão sobre representatividade é essencial, com a necessidade de promover discussão, acordos, e, inclusive, discordância em torno dos assuntos. “O que permite que a maioria esteja ali deve permitir, também, a participação de todos, com resultados que contemplem a todos”, comentou.

Na parte da tarde, o formato do encontro foi aberto e acessível – denominado jam session, as rodas de debate contaram com uma cadeira livre, disposta para que o público em geral, que sentisse afinidade com o assunto, pudesse sentar para discutir o assunto junto aos palestrantes.

Com a participação de Natália Mazzotte, diretora de Conteúdo e Dados da Gênero e Número; Fernanda Campagnucci, analista de políticas públicas e gestão governamental do Pátio Digital – Secretaria de Educação de São Paulo; e facilitação da Natália Garcia, a primeira Jam Session visou tratar da melhoria do fluxo de informação entre os atores sociais e o governo.

“O acesso à informação é um direito humano como qualquer outro – saúde, educação e moradia. Porém eles são tratados com níveis diferentes, mesmo sendo todos importantes direitos humanos”, explicou Mazzotte.

Foto: Mariana Lima

Na roda, as participantes concordaram que no Brasil existem boas leis para embasar o fluxo de dados entre a esfera pública e a civil, com o problema estando no desenho dos processos de troca dessas informações, que dificulta o acesso por parte da população.

Como exemplo, a Lei de Acesso à Informação, que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas produzidas ou detidas pelo governo, criando ferramentas para que qualquer pessoa, física ou jurídica, tenha a possibilidade de receber informações públicas dos órgãos e entidades, sem a necessidade de apresentar motivo.

Foto: Mariana Lima

“Um dos principais desafios é saber como estudar os dados. É importante que a sociedade, além de ter acesso aos conteúdos, saiba o que fazer com eles. É necessário conectar as causas e o conhecimento”, comentou Campagnucci.

Já na segunda Jam Session, o público e os palestrantes puderam debater sobre quem, de fato, tem direito à cidade. A mesa contou com a moderação de Rajesh Rani, professor de Inovação Social do Instituto Amani; Mariana Barros, jornalista e curadora do projeto Esquina; Clarisse Linke, diretora executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP); e Jamil Assis, gerente de Programas do Instituto Atuação.

Para Barros, do jeito que as cidades estão crescendo e se desenvolvendo, está ocorrendo uma urbanização desumanizada. “Direito à cidade todos temos, a constituição garante para a gente. Mas, na prática, as coisas não são bem assim. Talvez possamos substituir a palavra direito para acesso”, ponderou.

Foto: Mariana Lima

Na roda, o público pôde entender como a cidade pode ser diversa para cada cidadão, de acordo com seus interesses e posicionamento, e de que forma cada habitante pode, de fato, viver e participar plenamente do espaço onde vive.

“A resistência produz uma cidade, porém, conjuntamente sempre terá outra cidade sendo produzida, e essa outra cidade, com recurso, segrega cada vez mais. Temos que aprofundar a discussão sobre para quem o poder pulico deve responder”, esclareceu Linke.

A cidade do futuro pede que a sustentabilidade seja o foco do desenvolvimento, fazendo-se necessário pensar na cidade voltada para os cidadãos.

Lançamento da nova plataforma Rede Juntos

Ainda no UTC foi realizado o lançamento oficial da nova versão da plataforma Rede Juntos. Com novas ferramentas e novo visual, a plataforma ganhou uma linguagem mais dinâmica, com funcionalidades aprimoradas a partir do engajamento, interesse e uso da nossa rede.

 A ideia da Rede Juntos é estabelecer um local de cocriação e troca de conhecimento em gestão pública, de forma aberta e descomplicada 

Em sua nova versão, o público poderá conferir as publicações produzidas pela Comunitas de forma “wikizada“, o que significa uma plataforma mais dinâmica e aberta, oferecendo mais acessibilidade ao usuário. Já com as trilhas de conhecimento, o usuário poderá afunilar os assuntos buscados, mesclando temas para que a plataforma ofereça conteúdos mais especializados. Além da oportunidade de aprender e tirar dúvidas sobre os projetos diretamente com o responsável por eles, como secretários e diretores, entre outros gestores públicos.

Confira já as novidades acessando o link: www.redejuntos.org.br

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