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Curitiba ganha prêmio de sustentabilidade por projetos de agricultura urbana

O Programa Juntos tem desenvolvido, na cidade, a frente de Planejamento Estratégico Curitiba 2035, que foca na mobilização e engajamento da sociedade civil para que sejam construídas diretrizes de longo prazo, que deverão nortear as políticas de desenvolvimento urbano nas próximas duas décadas

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Com quase mil hortas em toda a cidade, Curitiba ganhou um prêmio internacional de sustentabilidade com seu programa de agricultura urbana. O C40 Cities Awards foi entregue na noite desta quinta-feira (1.º), no México, a dez municípios ao redor do mundo com projetos que são referência no combate às mudanças climáticas. O C40 é uma rede internacional para troca de experiências entre cidades de ações de sustentabilidade relativas a mudanças climáticas.
Única brasileira entre as premiadas, Curitiba venceu na categoria “comunidades sustentáveis”, desbancando outras 75 cidades, entre elas Toronto (Canadá), Auckland (Nova Zelândia ) e a Cidade do Cabo (África do Sul). O programa de “agricultura urbana” engloba uma série de projetos dentro da prefeitura, todos voltados à produção caseira e orgânica de alimentos.
São dois modelos de hortas urbanas dentro da Secretaria Municipal do Abastecimento (Smab). O Lavoura são como mini chácaras, em que cada lote é distribuído para uma família, que ali planta e colhe conforme a sua demanda. No Nosso Quintal são áreas menores geridas por alguma instituição, como escolas, creches, unidades de saúde, de polícia, entre outras. Todas contam com assessoramento técnico do município.
Somadas, as 915 hortas ocupam uma área de 67 hectares. É o equivalente a meio Parque Barigui, em média, o que não é muito, em termos de tamanho. E nem é a intenção do prêmio eleger megaprojetos. Pelo contrário, o C40 busca “melhores práticas” que possam ser facilmente replicadas ao redor do mundo. São escolhidas as cidades que mostram ser possível fazer muito com pouco.
A agricultura urbana tem um impacto na cidade similar a uma sessão de acupuntura. São intervenções pequenas, pontuais, espalhadas pelo município. Mas que no conjunto trazem um ganho ambiental, econômico e até de saúde, explica o engenheiro agrônomo Rodolfo Queiroz, responsável pelo projeto dentro da Smab.
“A gente sempre achou que o maior benefício seria na produção [caseira de alimentos orgânicos]. Mas o que a gente mais escuta da população é que o principal é a atividade terapêutico, o contato com a terra, as plantas, o convívio social”, conta Queiroz. No programa Nosso Quintal, por exemplo, muitas das instituições contempladas são de saúde e de assistência social, como hospitais, unidades de saúde e centros de referência.
Além dos benefícios diretos à população, as hortas reduzem o impacto das mudanças climáticas, tema que pesou para o C40. É difícil mensurar (por ser algo “muito subjetivo”, segundo o engenheiro agrícola Rodolfo Queiroz), mas as plantas têm o poder de capturar poluentes e gases do efeito estufa, retirando-os da atmosfera.
Além disso, há uma revitalização dos espaços ocupadas. No programa Nossa Horta, muitas áreas são de terrenos baldios, abandonados, muitos de proprietários privados que autorizam a comunidade a plantar naquele espaço. Já o Lavoura aproveita áreas extensas de companhias de energia elétrica, onde há fios de alta tensão. A horta é uma forma de dar uma destinação ecológica a estes locais.
Entre o Lavoura e o Nossa Horta, a diferença é de escala. No primeiro são apenas 30 locais de cultivo, mas que correspondem a 94% da área total ocupada pelo programa de arquitetura urbana. São áreas grandes, subdivididas em 799 hortas. A prefeitura estima que pelo menos três mil pessoas sejam impactadas pelo programa.
“A maior parte está concentrada na região Sul da cidade por conta da característica de ter uma população de menor renda e vazios urbanos”, explica o engenheiro agrônomo Rodolfo Queiroz, responsável pela unidade de agricultura urbana. Além do cultivo de subsistência, algumas famílias conseguem renda extra, vendendo o plantio no comércio local. Outras doam para instituições ou distribuem entre os vizinhos.
Já o Nosso Quintal atua em 116 locais. E beneficia, direta e indiretamente, mais de 16 mil pessoas. Além de quem põe a mão na massa, na plantação, entram na conta familiares, como os pais dos 7,1 mil alunos que estudam em escolas onde o programa está instalado.
Critérios
Ao todo, Curitiba conta com 915 hortas urbanas, divididas em 146 locais de cultivo. Qualquer instituição ou associação comunitária pode se inscrever para o programa Nosso Quintal, de menor escala. Não pode ser pessoa física ( o município não teria condições de fazer atendimentos individualizados para todos os cidadãos interessados em manter hortas).
A primeira etapa para aprovação é uma visita técnica. Em geral, o que barra a criação de uma horta é a ausência de solo adequado para atividade agrícola. Além disso, o local não pode ser muito sombreado, precisa ser cercado (para evitar animais) e ter um responsável para, pelo menos, regar todos os dias.
Podem ser áreas públicas ou privadas, inclusive terrenos baldios. “Mas praça é um pouco mais complicado, porque o objetivo dela é de lazer. Segundo o nosso julgamento é importante ter uma horta, mas [outra pessoa pode não pensar assim]. Então a gente não faz a instalação de hortas”, explica o engenheiro agrônomo Rodolfo Queiroz, da Secretaria de Abastecimento de Curitiba.
Já a Lavoura, que hoje contabiliza 799 famílias, fica sob responsabilidade de associações de bairro. Cada família é inteiramente responsável pelo seu lote. Em casos de abandono ou mudança de bairro, o terreno é passado para outro interessado (em alguns locais tem até lista de espera).
Para conhecer a frente Curitiba 2035, desenvolvida por meio do Programa Juntos, clique aqui.

Foto: horta comunitária no Jardim Bela Vista, no Tatuquara, extremo Sul de Curitiba – Fred Kendi/Gazeta do Povo/Arquivo.

Texto original: Gazeta do Povo.

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