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As cidades podem vencer a violência

por Alberto Kopittke

Este material parte do relato sobre iniciativas inovadoras e ousadas: primeiro uma parceria de grandes empresários do país que decidiram apoiar o desenvolvimento da gestão pública das cidades brasileiras por meio do Programa Juntos da Comunitas; segundo, uma prefeitura que decidiu assumir o desafio de reduzir a violência; e em terceiro um grupo de especialistas que se uniu para ajudar a formular respostas concretas, com base em evidências científicas. O resultado da junção desses três elementos não poderia ser mais positivo: um Plano Municipal de Segurança multidisciplinar, suprapartidário, com o engajamento dos diversos setores e instituições de Pelotas.

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O Instituto Cidade Segura sentiu-se honrado por ser escolhido como o parceiro técnico dessa iniciativa. Os cinco primeiros meses, que serão relatados nas próximas páginas, foram apenas os primeiros passos de uma longa jornada a ser traçada pela cidade para a reconstrução da paz. Ao longo desse curto período, nossos consultores realizaram mais de 140 atividades de engajamento, planejamento e implantação dos projetos na cidade. Foram meses de um trabalho intenso e árduo, mas extremamente gratificantes e que já resultam em melhorias significativas, como as primeiras quedas nos índices de violência depois de anos de agravamento.

Em um momento de profundo desencanto com projetos coletivos e do aumento de cenas de barbárie no cotidiano brasileiro, a experiência do Pacto Pelotas Pela Paz aparece como um sopro de esperança. É possível reduzir a violência a partir da união de forças sociais e institucionais e da utilização de conhecimento científico do que funciona e o que não funciona para reduzir a violência.

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Inspirado em experiências exitosas já realizadas no Brasil e no mundo, como as de Nova Iorque, Boston, Bogotá, Pernambuco, Diadema e Canoas, o Pacto demonstra a possibilidade de reconstruirmos a convivência social, ao fortalecer as instituições democráticas e qualificar a gestão pública brasileira. Muito mais do que um projeto restrito às fronteiras de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, essa iniciativa demonstra um novo caminho para a Segurança Pública, com base em uma concepção proativa, técnica e integrada, que vem sendo construída em diversos países nas últimas décadas, mas ainda encontra dificuldade para se afirmar no Brasil.

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Chegou a hora de superar a concepção tradicional de segurança reativa, desintegrada, que joga toda a responsabilidade para as polícias, sem qualquer tipo de planejamento de médio e longo prazos e que não raras vezes é tratada de forma populista. Nossas cidades não podem mais afirmar que o problema da violência não seja uma responsabilidade sua. É preciso união das forças locais para que jovens não escolham o caminho da violência e da banalização da vida.

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Não podemos deixar de agradecer à Prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, pela coragem e competência, a todos servidores das diversas instituições municipais, estaduais e federais e aos cidadãos pelotenses que estão se dedicando cotidianamente de forma tão séria e motivada para construir essa experiência.

Esperamos que o modelo implantado em Pelotas inspire outras cidades pelo país a se unirem contra a violência. Que está publicação colabore tecnicamente nessa construção.

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Em tempos tão amargos, a experiência de Pelotas – conhecida como a capital nacional do doce – adoçou nossas esperanças de que um futuro de convivência e de paz nas cidades brasileiras é possível.

Alberto Kopittke é secretário Executivo do Instituto Cidade Segura – organização contratada pela Comunitas para liderar o Pacto Pelotas pela Paz junto à prefeitura.

 

Este artigo foi retirado da publicação Papel do Município na Segurança Pública | O Caso do Pacto Pelotas pela Paz, produzida pela Comunitas. Clique aqui e faça o download.

 


 

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